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Mayara Cristina Constantino é apontada pela polícia como a líder do grupo que organizava uma falsa festa em nome de marca de luxo
Divulgação/ Polícia Civi...
19/03/2026 13:04
Três pessoas suspeitas de montar evento de luxo usando nome de grife famosa para aplicar golpe de R$ 4 milhões são presas em Goiânia (Foto: Reprodução)
Mayara Cristina Constantino é apontada pela polícia como a líder do grupo que organizava uma falsa festa em nome de marca de luxo
Divulgação/ Polícia Civil de Goiás
Um baile de máscaras luxuoso em Goiânia cujos convites seriam enviados mediante a compra de bolsas de uma grife europeia famosa que custam mais de R$ 15 mil. Mas tudo não passava de mentira, segundo a Polícia Civil. A descoberta levou à prisão de três pessoas, em Goiânia, suspeitas de estelionato. O esquema rendeu prejuízos de mais de R$ 4 milhões a diversos fornecedores que trabalhavam para o evento.
Em entrevista ao g1, a delegada Lara Soares, responsável pela investigação, disse que o evento de grande porte seria realizado no Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB-GO, em Aparecida de Goiânia, há cerca de 15 dias, mas foi adiado, pois nenhum pagamento havia sido feito aos fornecedores até aquele momento. A nova data seria o próximo sábado, dia 21.
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A líder do grupo era Mayara Cristina Constantino, de 33 anos, que se apresenta nas redes sociais como consultora de imagem e estilo. Segundo Lara, era por meio da internet que ela chegava às vítimas.
"Nós temos vítimas dos dois lados: as que produziram todo o evento e as vítimas que foram convidadas, mas na verdade para elas serem convidadas, elas tinham que comprar uma bolsa da marca", explicou a delegada.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Mayara até a última atualização desta reportagem. A OAB-GO também foi procurada, mas ainda não retornou.
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Para convencer as pessoas de que tudo era verdade, a suspeita criou uma personagem fictícia, chamada Fran de Pierre, uma portuguesa que morava em Paris, que seria a responsável pelas contratações do serviço para a festa em Goiânia. "Na verdade, não existia festa nenhuma, não existia contratação nenhuma porque não existia essa pessoa", disse Lara.
Para fazer as vítimas acreditarem que tudo era verdade, Mayara criou emails em nome dessa "Fran de Pierre", que ela enviava para si própria, com mensagens ora em português, ora em francês. A suspeita, então, encaminhava esses emails para os fornecedores alvo do esquema.
Vítimas em outros estados
Segundo a delegada, até agora foram identificadas em Goiás seis vítimas em relação ao falso evento e uma em relação à venda das supostas bolsas da marca que dariam direito ao convite para a festa. Essa pessoa, porém, passou à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) uma lista de convidados que seriam potenciais vítimas do Pará, estado-natal de Mayara.
"E ela também já morou no Paraná. Tudo indica, pelo que a gente apurou, que pode haver outras vítimas nesses outros estados, principalmente considerando esse fato de que ela vendia bolsas e não entregava. Existe até um grupo chamado 'vítimas de Mayara".
Lara explica que as outras duas pessoas presas são o marido e a cunhada de Mayara, irmã do marido. As identidades deles não foram divulgadas.
Segundo a delegada, Mayara estava morando em Goiânia há três anos. O marido, que recebia o dinheiro do esquema, foi servidor público federal, mas pediu exoneração do cargo. O casal está junto há cerca de oito anos.
"A gente ainda vai apurar se ela só usava as contas dele ou se ele realmente tinha envolvimento. Pelo que a gente viu, pode ser que sim, porque ele participou de algumas reuniões com os produtores (do evento)", detalhou.
Consultora de estilo
O perfil do Instagram de Mayara possui mais de 7 mil seguidores. Nele, a suspeita se define da seguinte forma: "um perfil que não foca em te ensinar a se vestir de forma elegante, mas, sim, de forma autêntica e intencional".
Segundo a delegada, ela usava esse perfil para chegar às vítimas tanto para vender as supostas bolsas da marca quanto para convidá-las para o evento que aconteceria na capital goiana. "Ela se dizia representante da marca aqui no Brasil e que quem havia contratado ela era essa personagem que ela criou, que seria a contratante dos serviços", detalhou.
A polícia chegou até Mayara depois que uma vítima, que estava entre os fornecedores do evento, entrou em contato com a polícia. No decorrer da investigação, essa vítima reconheceu tanto ela quanto o marido e a cunhada como autores do golpe. A procura aconteceu porque a vítima desconfiou que os suspeitos pudessem fugir.
"Os colaboradores do evento começaram a ficar muito nervosos com a situação, com receio de não receberem nada. Então, eles (os fornecedores) começaram a pressioná-la", disse Lara.
A polícia prendeu os três suspeitos quando eles saíram de casa. Segundo a delegada, a prisão foi necessária porque as investigações apontaram para um risco real de fuga. Até o momento, o trio deve responder pelo crime de estelionato, mas a polícia investiga se houve outros crimes, como associação criminosa e crime contra a propriedade imaterial, ou seja, relacionado a direitos autorais e industriais de uma marca.
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