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Como era o Sistema Solar há 4,5 bilhões de anos? Telescópio pode ter a resposta — e as imagens

Sistema planetário em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2 revela dois planetas gigantes gasosos, identificados em meio ao disco de gás e poeira onde...


Como era o Sistema Solar há 4,5 bilhões de anos? Telescópio pode ter a resposta — e as imagens
Como era o Sistema Solar há 4,5 bilhões de anos? Telescópio pode ter a resposta — e as imagens (Foto: Reprodução)

Sistema planetário em formação ao redor da estrela jovem WISPIT 2 revela dois planetas gigantes gasosos, identificados em meio ao disco de gás e poeira onde novos mundos estão surgindo. ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al. Uma equipe internacional de astrônomos conseguiu algo raro: observar, em tempo real, dois planetas nascendo ao mesmo tempo em torno de uma mesma estrela jovem. O feito foi anunciado nesta última terça-feira (24) na revista científica "The Astrophysical Journal Letters" e envolveu telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile. A estrela em questão se chama WISPIT 2. Ao seu redor, um enorme disco de gás e poeira ainda está em processo de se transformar em planetas — e o sistema se parece tanto com o que os modelos científicos descrevem como o estágio inicial do nosso Sistema Solar que os próprios pesquisadores o chamaram de "a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado". "O WISPIT 2 é a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado", disse em um comunicado Chloe Lawlor, doutoranda da Universidade de Galway, na Irlanda, e autora principal do estudo. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Esta é apenas a segunda vez que a ciência consegue observar diretamente dois planetas se formando ao redor de uma estrela ao mesmo tempo. O único caso anterior era o sistema PDS 70. Mas o novo sistema tem uma diferença importante: o disco de material ao redor de WISPIT 2 é muito maior e mais estruturado do que o de PDS 70, com anéis e espaços vazios bem definidos, o que sugere que ainda mais planetas podem estar nascendo ali. "O WISPIT 2 proporciona-nos um laboratório perfeito para observar não apenas a formação de um planeta individual, mas também a de um sistema planetário completo", afirmou Christian Ginski, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Galway. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como os planetas foram encontrados O primeiro planeta do sistema — chamado WISPIT 2b — havia sido detectado no ano passado. Ele tem uma massa quase cinco vezes maior que a de Júpiter e orbita a estrela a uma distância equivalente a cerca de 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Depois disso, indícios de um segundo objeto apareceram próximo à estrela. Para confirmar se era mesmo um planeta, a equipe usou dois instrumentos potentes do ESO: o SPHERE, acoplado ao Very Large Telescope (VLT), que capturou uma imagem direta do objeto; e o GRAVITY+, ligado ao Interferômetro do VLT, que confirmou sua natureza planetária. O resultado: um segundo planeta, batizado de WISPIT 2c, quatro vezes mais próximo da estrela central do que o primeiro e com o dobro de sua massa. Ambos são gigantes gasosos, do mesmo tipo que Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar. "O nosso estudo utilizou a recente atualização GRAVITY+, sem a qual não teríamos conseguido obter uma detecção tão clara de um planeta tão próximo da sua estrela", explicou Guillaume Bourdarot, pesquisador do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, e coautor do trabalho. Imagem do telescópio VISTA mostra a região ao redor da estrela jovem WISPIT 2, vista no centro do campo. ESO/VHS team Um terceiro planeta a caminho? Agora imagine um enorme redemoinho de poeira e gás girando ao redor de uma estrela recém-nascida. Com o tempo, partículas desse material começam a se aglomerar, atraindo mais e mais matéria pela força gravitacional, como uma bola de neve que cresce enquanto rola. Quando esse aglomerado atinge massa suficiente, nasce um protoplaneta: o embrião de um planeta. O material que sobra ao redor desse espaço se organiza em anéis, deixando uma lacuna visível no disco. É exatamente isso que os astrônomos estão vendo ao redor de WISPIT 2: dois espaços vazios no disco, cada um ocupado por um planeta em formação, cercados por anéis de poeira bem definidos. E além dos dois espaços onde WISPIT 2b e WISPIT 2c foram encontrados, há pelo menos mais uma lacuna no disco, ainda mais distante da estrela — e menor. "Suspeitamos que exista um terceiro planeta em formação nesse espaço", disse Lawlor, "possivelmente com a massa de Saturno, dado que o espaço é mais estreito e menos profundo." A equipe pretende investigar essa região com mais detalhes. Com o futuro Extremely Large Telescope do ESO, ainda em construção no deserto chileno do Atacama, os pesquisadores esperam conseguir imagens diretas desse possível terceiro planeta. Mapa indica a posição da estrela jovem WISPIT 2 na constelação de Águia, destacada por um círculo vermelho entre estrelas visíveis a olho nu. ESO, IAU and Sky & Telescope LEIA TAMBÉM: Como a inteligência artificial padroniza a forma como as pessoas se expressam e pensam O que acontece quando um clone é clonado repetidas vezes? Ciência finalmente tem a resposta Nasa gastará US$ 20 bilhões em base na Lua e cancela estação orbital lunar

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