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A nova cota de importação de carne bovina aberta pelo presiden...
09/09/2026 13:45
Brasil pode ficar com até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA; entenda
(Foto: Reprodução)
Pará pode sentir efeitos da proibição da exportação de carne bovina para o mercado europeu
A nova cota de importação de carne bovina aberta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode garantir ao Brasil até 40% do volume adicional que os americanos pretendem comprar nos próximos 90 dias.
A estimativa é que os frigoríficos brasileiros forneçam entre 90 mil e 120 mil toneladas das 300 mil toneladas autorizadas pelo governo americano.
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A medida anunciada por Trump no mês passado tem como principal objetivo ampliar a oferta de carne nos Estados Unidos e reduzir os preços, principalmente da carne moída usada em hambúrgueres.
Agora, com as regras mais claras, o Brasil aparece entre os países com maior potencial para ocupar esse espaço.
🐂 Os Estados Unidos enfrentam uma redução do rebanho bovino, o que diminuiu a oferta de carne e pressionou os preços. Para aumentar a produção local, o governo Trump também lançou medidas de incentivo aos pecuaristas. Como a recuperação do rebanho leva tempo, o país recorre às importações para aumentar a oferta no curto prazo.
A avaliação da posição do Brasil neste cenário é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Segundo ele, o tamanho da indústria brasileira e o número de frigoríficos habilitados a exportar para os Estados Unidos colocam o país em posição favorável na disputa por esse mercado.
🔍 A nova cota, porém, é diferente da regra que já se aplica à carne brasileira. Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas para exportar aos Estados Unidos sem tarifa extra. Segundo Iglesias, esse volume foi totalmente utilizado em apenas 15 dias.
Depois que essa cota é preenchida, a carne brasileira pode continuar entrando no mercado americano, mas passa a pagar uma tarifa adicional de 26,4%.
➡️ De janeiro a agosto, os Estados Unidos compraram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita de US$ 1,74 bilhão. O volume é 28,7% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
A nova medida de Trump abre, por 90 dias, uma cota adicional de até 300 mil toneladas sem essa cobrança, melhorando as condições de acesso para os países que conseguirem ocupar esse espaço.
Brasil tem vantagem na disputa pela nova cota
Nem todos os principais fornecedores de carne dos Estados Unidos vão disputar diretamente esse novo espaço. A Argentina, por exemplo, já conta com cotas próprias para o mercado americano.
Os mercados que mais exportam carne aos EUA em ordem: Brasil; Austrália; Canadá; México; Nova Zelândia
Na avaliação de Iglesias, os concorrentes mais diretos do Brasil nesse volume adicional são o Paraguai e países da América Central. Ainda assim, o Brasil teria vantagem por causa do tamanho de sua indústria e da quantidade de frigoríficos credenciados a exportar para os Estados Unidos.
Isso não significa, porém, que as 300 mil toneladas serão divididas entre os países de forma automática.
Cada exportador terá de conquistar espaço no mercado, e a capacidade de oferecer o produto ao preço desejado pelos compradores americanos será decisiva.
O desafio está no preço da carne
O tipo de carne procurado pelos Estados Unidos também pode reduzir o interesse dos frigoríficos brasileiros.
A nova demanda está concentrada nos trimmings, pedaços retirados durante o processamento da carcaça e usados, entre outras finalidades, na produção de carne moída, matéria prima para o tradicional hamburguer americano.
É justamente nesse ponto que surge uma das dúvidas da indústria: vale a pena destinar esse produto aos Estados Unidos?
Como o produto tem menor valor agregado e representa apenas uma parte da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar o preço pago pelos americanos, os custos de exportação e o retorno que poderiam obter pelo mesmo animal em outros mercados.
Segundo Iglesias, as empresas ainda fazem essas contas. A preocupação é que uma alta excessiva nos preços torne a operação menos atrativa para os compradores americanos e comprometa o objetivo da medida: ampliar a oferta de carne a preços mais baixos.