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Os Estados
Advogada argentina ré por injúria racial é julgada no Rio
Polícia investiga advogada argentina por ofensas racistas em Ipanema
A Justiça do Rio julga nesta terça-feira (24) a advogada e influencer argentina Agostina...
24/03/2026 13:16
Advogada argentina ré por injúria racial é julgada no Rio (Foto: Reprodução)
Polícia investiga advogada argentina por ofensas racistas em Ipanema
A Justiça do Rio julga nesta terça-feira (24) a advogada e influencer argentina Agostina Páez, ré em um caso de injúria racial quando saía de um bar na Zona Sul do Rio de Janeiro no começo do ano.
Agostina passará por uma audiência de instrução e julgamento na 37ª Vara Criminal. O processo corre em segredo de justiça.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Agostina se referiu a um funcionário do bar como “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono”, que em espanhol significa macaco, além de imitar gestos do animal.
Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar
Reprodução/TV Globo
Ainda de acordo com a promotoria, ela voltou a fazer ofensas, usando expressões como “negros de m…” e “monos” para outros dois funcionários, caracterizando três crimes.
Um vídeo com os gestos viralizou nas redes sociais e deu início à investigação da Polícia Civil, que a indiciou por injúria racial.
A prisão preventiva foi decretada após a 37ª Vara Criminal aceitar a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O pedido se baseou no risco de fuga e no comportamento reiterado da advogada, que, de acordo com a promotoria, repetiu as ofensas mesmo após ser alertada de que a conduta configurava crime no Brasil.
Agostina foi presa no dia 6 de fevereiro, mas foi solta na mesma noite após decisão da mesma Vara Criminal. Desde então, ela permanece no Brasil, utilizando uma tornozeleira eletrônica.
Após ser presa, Agostina Páez foi levada para a 11ª DP (Rocinha)
Henrique Coelho/g1 Rio
A promotora Fabíola Tardin Costa explicou ao g1 que o foco do Ministério Público está mais voltado para a reparação do dano à vítima e para o respeito à legislação brasileira, que assume o compromisso de combater toda forma de discriminação, do que propriamente para o encarceramento de Agostina.
"O foco da minha acusação é demonstrar que nosso país está comprometido com o combate ao racismo e com o respeito aos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, sem deixar de considerar a importância da garantia do direito reparatório à vítima. O cárcere é uma medida extrema e excepcional que, neste momento, não entendemos ser necessária", explicou.
Justiça do Rio revoga prisão de turista argentina que fez gestos racistas contra o funcionário de um bar
Defesa diz que ré 'reconhece o erro'
A advogada Carla Junqueira, que representa Agostina Páez, afirmou que sua cliente reconhece o erro que cometeu, por desconhecimento da legislação brasileira a respeito do racismo:
"Agostina reconhece que errou e reagiu de forma inadequada diante de uma situação de conflito. Demonstrou arrependimento sincero, pediu desculpas e buscou compreender as consequências de suas atitudes. "
Carla Junqueira, no entanto, diz que as penas impostas à sua cliente podem ser substituídas por outras medidas:
"A defesa reitera sua confiança na Justiça Brasileira, acreditando que a análise serena e técnica do caso conduzirá a uma decisão justa e proporcional, que reconheça o direito de Agostina de responder ao processo em liberdade", disse a advogada, em nota enviada ao g1.